Dra. Célia Regina Lulo Galitesi
é consultora da Weleda.
— Patogênese —
Como vemos em algumas ultra-sonografias, os bebês “chupam o dedo” desde o ventre. O palato possui terminais táteis tão precisos quanto nossas digitais, que se desenvolvem sob estímulos trabalhados desde a época pré-natal. A criança chupa o dedo não só para a estimulação prazerosa dos terminais táteis de seu palato, como também para selar sua boca, numa tentativa de “proteger-se”, “fechar-se” em seu mundo interior, evitando suas trocas com o mundo externo, pois, como vimos no número anterior, a boca é um grande “portal” de trocas com o mundo.
 
 
 
bebê deveria ser amamentado, no mínimo, até seis meses de
idade, pois o movimento de ordenha do leite no seio materno é que impulsiona o maxilar inferior para a frente, estimulando os músculos, abrindo espaços, favorecendo o crescimento das arcadas, conspirando favoravelmente para uma boa oclusão e adequado posicionamento dentário.
Sabemos da polêmica existente entre o uso da mamadeira, da colherinha ou do copinho diante da impossibilidade da amamentação natural no seio materno. Sabemos, ainda, que há diferenças na qualidade entre os estímulos de ordenha e de sucção, em que uma menor quantidade de músculos é estimulada no ato da amamentação artificial, por mamadeira.
Entretanto, as mamães que, não por opção, mas por absoluta impossibilidade, amamentaram seus filhos na mamadeira, precisam saber que, se o fizeram posicionando-os bem, junto ao seu colo, na mesma posição indicada para a mamada no peito, utilizando as mamadeiras com bicos mais apropriados, dentro de uma intimidade corpórea mãe-filho fundamental nos primeiros meses de vida, supriram necessidades básicas do desenvolvimento emocional na fase da amamentação. Vínculos de segurança são estabelecidos pelo acolhimento materno; cuidando destas sensações do bebê estimula-se o tato, as noções de tempo, ritmo,
 
 
e espaço, gerando estabilidade e equilíbrio, essenciais à estruturação mental do futuro adulto e que reverberam no manejo da auto-estima, autoimagem, e até mesmo na qualidade das relações estabelecidas: de competição ou de cooperação.
Na ligação íntima mãe-criança, enquanto a criança mama ela se nutre também das qualidades do meio ambiente: ar, luz suave, silêncio e som, voz doce, calor e amor, toques, cores. O leite é o primeiro alimento portador da vida.
Steiner destacava a importância de um minucioso cuidado e preparo do ambiente que reproduza a atmosfera de “criação do mundo” desde o nascimento e durante as horas, dias e anos que se seguirão. “A mãe vive inteiramente no leite!”, afirmava ele. Este primeiro alimento da criança é insubstituível; representa a metamorfose do sangue, levando calor e amor por meio das substâncias vivas que o compõem (gordura, cobre, açúcar...).
Amamentar é muito mais do que saciar a fome física e dar estímulo aos maxilares; é propiciar o início do processo de desenvolvimento e da administração da vida afetiva do ser, é favorecer o desabrochar sadio dos sentidos do querer - que são as sementes do agir. A amamentação é o primeiro ato expresso de vontade vinculado à vida, e, a cada mamada, um constante sim ou não por continuar vivo.
 
 
  
   
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