O
fígado faz a individualização das substâncias e do metabolismo energético, o que
nos confere vontade, força para decisão e atuação. O correto funcionamento do
fígado deve trazer os aspectos fleumáticos do temperamento: bem estar, aparência
jovial e uma boa “metabolização” das vivências tristes, que não chegam a causar
depressão. O mal funcionamento do fígado pode levar à fraqueza de vontade, inércia,
depressão, sintomas digestivos (empachamento, gosto amargo, intolerância à gordura)
e medo da vida.
Quando Hipócrates, o pai da medicina, nomeou a melancolia,
ele fazia referência a um processo hepático mórbido (mélas, ‘negro’ + kholê, ‘bile’;
melancolia: bile negra).
Para harmonizar o ritmo fígado-vesícula, algumas
orientações alimentares são úteis. Na depressão, a pessoa não se interessa pelo
mundo. Para que exista na alma esse interesse, deve-se formar no metabolismo a
base do mesmo processo, relacionado ao alimento – que vem do mundo externo. Os
amargos assumem papel central – rúcula, agrião, chicória, almeirão, boldo-do-Chile,
mil-folhas etc. Somados aos condimentos, eles fazem o processo digestivo ter mais
“interesse” pelo alimento, aumentando a quantidade e a qualidade dos sucos digestivos.
Devem ser evitados: açúcar concentrado, as gorduras animais e o leite (extremamente
fermentativo), e àqueles cansados mentalmente deve-se recomendar raízes e tubérculos
coloridos (beterraba, cenoura, mandioquinha salsa etc.) para vitalizar o sistema
neuro-sensorial.
Ritmo é fundamental, pois a base de nosso metabolismo
está ligada ao | | |
ritmo,
contrariamente às tendências da vida moderna. Sono-vigília, trabalho-descanso,
horários regulares de alimentação – quando tudo isso ocorre com harmonia, existe
uma capacidade vital maior. Obviamente, este é apenas o início de um tratamento
mais profundo, que deverá ser conduzido por médico com experiência no assunto.
Visão semelhante tem a medicina tradicional chinesa, que considera que no fígado
aloja-se o hun, a alma etérea, que dá a capacidade de realizar os sonhos, ter
estratégias com discernimento e sabedoria, e é afetado pela raiva. Ao
lado do que essas abordagens médicas holísticas dão aos problemas do fígado, cabe
a cada um cuidar bem de sua vitalidade para assim, assistir o que virá nos próximos
50 anos. Ou 100. Nilo Gardin Diretor Médico-científico
da Weleda do Brasil
Referências Bibliográficas:
Bott V. Medicina Antroposófica, uma ampliação da arte de curar, 3a. ed.,
Associação Beneficente Tobias, São Paulo, 1991. Husemann F, Wolff O. A
imagem do Homem como Base da Arte Médica, Ed. Resenha Universitária: São Paulo,
1978. | | |
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