Dra. Célia Regina Lulo Galitesi
é consultora da Weleda.
— Patogênese —
 
 
completa higienização bucal inclui, além da escovação dos
dentes, do uso do fio dental e do bochecho, também a limpeza da língua. Essas orientações preventivas fazem parte de conceitos acadêmicos, que visam à prevenção de cáries, tártaros, problemas gengivais, doenças periodontais, halitose e outras. Ao higienizar a língua, estamos estimulando 1/5 dos nossos sentidos comuns: paladar, audição, visão, tato e olfato. O paladar incumbe-se de levar-nos boa parte de tudo o que percebemos do mundo através das papilas gustativas, decodificando minuciosamente as doçuras, as amarguras, os azedumes, como também a acidez e o sal da vida.
Por trás desse hábito de higiene contínuo, diário, rítmico que cultivamos durante anos, por toda a vida, nós, dentistas, podemos também “ler” em nossos pacientes como está seu estado de ânimo, sua perseverança, sua força de vontade, seu senso de higiene e estética, sua disciplina, seu ritmo, e mesmo sua auto-estima. No dia-a-dia clínico, quem observar poderá encontrar um grande número de pacientes depressivos, com mobilidade dental ou com perda de alguns dentes, originadas na não-motivação para os cuidados pessoais primordiais,
 
 
 
 
ligada a certa apatia, a um “descuido”, relacionado com a insuficiente força e vitalidade para olhar e cuidar da própria boca. Independentemente do estágio de evolução da doença, procuramos interagir com médicos atentos, por exemplo ao funcionamento do fígado nos casos de depressão. Higienizar a língua, desopilar o fígado, perceber melhor os sabores é fundamental para a saúde. Não por acaso, podemos dizer que a língua tem íntimas relações com o fígado, desde suas origens embrionárias (ambos são ricos em estanho). Lembramos também que a digestão começa na boca. Enquanto o fígado funciona como um “tateador” e um “alquimista” interior, trabalhando para o bem-estar do nosso mundo interno, a língua faz o mesmo desde o nosso mundo externo. No reino animal, vemos esse “tatear” na cobra, no tamanduá e em outras espécies menos conhecidas; ou quando animais não domesticados, como cachorros do mato, “demonstram” sua sabedoria interna de instintos ainda preservados, mastigando as ervas e os matos que irão curá-los. Até em expressões populares podemos verificar interessantes relações: “Tal alimento não me sabe bem”, “Saboreou a refeição do começo ao fim”.
Outro aspecto interessante vinculado à higiene da língua é que a halitose matutina tem relação com as pontes de súlfur (enxofre) que se formam da noite para o dia; e, já que a língua “vive” mergulhada na saliva, o ideal seria que em vez de colocá-la em contato com produtos químicos agressivos e sintéticos nós nos reportássemos às bases da alquimia, utilizando o princípio de equilíbrio entre o sal e o súlfur, o mais natural possível, para a manutenção de um PH adequado. Portanto, o simples ato de higienizar dentes e língua é como um portal que transcende a finalidade preventiva local por meio da Odontologia Integral; merece e pode ainda ser visto sob no mínimo “mil e um” aspectos.
 
   
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